Fui pai relativamente tarde, aos 36 anos. Talvez eu tenha chegado a uma etapa da vida — não apenas pela idade, mas pela bagagem acumulada — em que pouca coisa ainda conseguia me surpreender. A rotina, por mais confortável que seja, tem seus momentos de sufoco. O trabalho é parecido todos os dias, os hobbies permanecem os mesmos e, mesmo nos momentos bons de respiro, pouca coisa causava um impacto profundo. Depois dos 30, parece que quase tudo deixa de ser novidade.
Ouvi dizer uma vez que a palavra milagre compartilha suas raízes com o ato de estar maravilhado. Ou seja, milagre é também essa capacidade humana de olhar para algo belo e reconhecer o extraordinário ali contido, não importa quantas vezes você já tenha vivido aquela experiência. Não importa se você já foi à praia quinhentas vezes ou quantos por do sol já assistiu: continua sendo um milagre, desde que você se permita encantar.
Tornar-me pai foi a prova viva de que o cotidiano pode voltar a ser mágico.
É incrível acompanhar os primeiros passos, ouvir as primeiras palavras — aquele “mamãe” e “papai” hesitantes — e presenciar as primeiras gracinhas. Como pode um ser tão pequeno mudar tão radicalmente a forma como um homem enxerga a vida? Como a nossa perspectiva se transforma quando tentamos olhar o mundo através dos olhos de alguém que está descobrindo tudo agora?
Como pode um filho chegar e, pelo simples fato de existir, fazer com que todas aquelas coisas que haviam perdido a graça voltem a fazer sentido? De repente, a rotina deixa de ser apenas repetição e volta a ser milagre.
Feliz Dia dos Pais!
Por Yuri Ribeiro
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