Comprei um videogame usado na OLX

A Odisseia do Wii U Usado: Valeu a Pena?

Há algum tempo, eu estava sem videogame e, navegando despretensiosamente pela internet, caí num vídeo com aquele título clássico: “O Wii U ainda vale a pena?”. Em questão de minutos, lá estava eu, sendo completamente influenciado a comprar um console lançado há mais de uma década — um aparelho que eu sabia muito bem ter sido um fracasso comercial em seu lançamento.

Os argumentos do vídeo, no entanto, eram tentadores:

  1. Desbloqueio extremamente simples feito usando apenas um SD card;
  2. Comunidade ativa que continua lançando projetos e modificações até hoje;
  3. Biblioteca completa da franquia Zelda, permitindo jogar desde os clássicos até o Breath of the Wild;
  4. Possibilidade de usar lojinhas alternativas para baixar jogos diretamente no aparelho;
  5. O retrô-machine definitivo: roda Wii nativamente, além de GameCube, Super Nintendo, Game Boy Advance e NES. Via emulação, ainda roda Arcade e PlayStation 1 com facilidade.

Movido pela curiosidade, fui garimpar na internet. Achei um anúncio na OLX por R$ 1.000, com opção de parcelamento. O console estava na caixa, com o GamePad em ótimo estado, a câmera (Sensor Bar), dois Wiimotes e, para minha surpresa, o disco físico de Mario Kart 8 dentro do leitor (além do Super Mario 3D World na memória).

Negócio fechado. Mas aí começou a verdadeira jornada.

O Problema do Carregador e a Busca na Sexta à Noite

O pacote chegou numa sexta-feira à tarde. Quando fui ligar o aparelho à noite, veio a surpresa: o vendedor não mandou o carregador do GamePad — aquela tela em formato de tablet indispensável para operar o console. Na verdade, ele enviou um cabo que nem encaixava no conector.

Minha namorada olhou para o plugue e identificou imediatamente: era um carregador de Nintendo 3DS. Questionado pelo chat da OLX, o vendedor garantiu com convicção que sempre usou aquele cabo (o que uma rápida busca confirmou ser uma impossibilidade física).

Com o prazo de devolução da plataforma correndo até sábado ao meio-dia, fiquei no dilema: devolver o produto ou sair à caça de uma fonte compatível? Decidi que não desistiria tão fácil.

Comecei a mandar mensagens para todas as assistências técnicas da região. Como moro no interior, as opções eram poucas, e o resultado foi o mesmo até nas cidades vizinhas: ninguém tinha o cabo para pronta entrega.

Parti para a apelação: abri o Marketplace do Facebook e a própria OLX em busca de qualquer pessoa na cidade que estivesse vendendo um Wii U. Mandava mensagem explicando a situação e perguntando se poderia levar meu console até a casa da pessoa apenas para dar uma carga e testar o aparelho antes que meu prazo expirasse.

Depois de várias recusas compreensíveis, um usuário chamado Rodrigo respondeu: “Sem problemas, pode pegar comigo amanhã.”

O cara não só me emprestou o cabo, como disse que tinha dois e que, se o videogame estivesse funcionando, ele me venderia o sobressalente por um preço justo.

O Teste e o Final Feliz

Cheguei em casa, conectei o GamePad e a luz de carga acendeu. O console estava impecável.

Antes mesmo que eu pudesse escolher o primeiro jogo para testar, minha namorada viu a mídia de Mario Kart 8 no leitor, pegou o controle e tomou conta da TV. Sendo fã declarada da franquia, ela virou a noite jogando antes que eu conseguisse encostar no aparelho.

Com a confirmação de que tudo funcionava, paguei o Rodrigo pelo cabo e, em agradecimento pela ajuda na camaradagem, mandei para a casa dele uma pizza cortesia do meu delivery.

O Veredito: O Wii U Vale a Pena?

Após contornar o contratempo do cabo, fiz o procedimento de desbloqueio com um pendrive, instalei o RetroArch, coloquei The Legend of Zelda: Breath of the Wild com tradução em português e montei uma biblioteca com os melhores títulos de GBA, SNES, Mega Drive e GameCube.

O Wii U é um hardware fantástico injustiçado por um marketing confuso na época do seu lançamento. A prova disso é que a grande maioria dos sucessos do Nintendo Switch foram originalmente lançados para ele.

Para quem gosta de retrogaming e busca uma central de emulação da própria Nintendo por um valor acessível no mercado de usados, a experiência vale cada centavo — mesmo que exija uma pequena odisseia de sexta à noite para entrar no jogo.

P.S. sobre a bateria e o controle: Quem conhece o Wii U sabe que o maior defeito do GamePad é a bateria, que dura no máximo umas 2 horas de jogatina contínua. Para não ter que jogar com o tablet grudado na tomada o tempo todo, passei a usar um controle modelo Pro Controller da Funlab. Ele conecta fácil, a pegada é excelente e a bateria dura dezenas de horas sem pedir carga, salvando as sessões longas de Breath of the Wild e Mario Kart. Se quiser dar uma olhada no modelo que estou usando, deixei o link aqui: https://meli.la/2pvSdkL